quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Saber sensível, formação e documentação

A documentação é elemento intrínseco ao fazer pedagógico em um processo de formação contínua e nosso encontro de formação de novembro com pedagogas convidou à essa reflexão.















Ao voltarmos nosso olhar para a diversidade de possibilidades, com muito bate papo formador, o mesmo trouxe clareza ao grupo que documentação é muito maior do que a coleta de dados, pois requer a elaboração dos mesmos, na busca por apropriar-se analiticamente do fazer, abrir espaço ao diálogo junto aos pares e produzir conhecimento. Imprescindível nesse processo a observação cuidadosa com mudança no olhar, escuta, valorização das coisas de criança e contextos de aprendizagens, visando práticas educativas significativas para as crianças que favoreçam encontros, interações e brincadeira. É ferramenta poderosa de formação, como nos dizem Maria Carmen Silveira Barbosa e Susana Beatriz Fernandes  "...tendo em vista que ela nos convida a pensar de outro modo sobre o que sabemos e o que fazemos em nosso cotidiano na escola infantil"


O texto de Paulo Fochi "Princípios de uma pedagogia que narra experiências das crianças" subsidiou a reflexão e o registro escrito das pedagogas, em relação à unidade de trabalho de cada uma, sobre os 3 princípios colocados por este autor: 

1 - Dar visibilidade aos percursos;
2 - Construir narrativas;
3 - Escuta sensível sobre as crianças.

















No nosso encontro de formação com gestores e pedagogos de novembro, nós da equipe de formadoras do NRE PN (Andréa, Cleonice, Inês e Suelen)  não poderíamos deixar de compartilhar nosso percurso formativo do ano de 2016. Foi uma caminhada intensa e com uma causa muito importante para ser defendida: as crianças e suas infâncias. Nessa defesa não medimos esforços e, munidos dos documentos da Rede e seus princípios, das DCNEIS, da experiência adquirida na caminhada que vem de anos anteriores, estudos, reflexões, questionamentos sobre o currículo, parceria com nossas unidades, gestores, pedagogos, professores - e aqui queremos especialmente destacar a parceria, entendida como corresponsabilidade, pois acreditamos que é uma marca de nosso trabalho - uma busca constante, visto que para essa causa tão nobre que defendemos é a soma do coletivo com valorização das individualidades a grande força que temos.

Temos aprendido muito, nossos olhos têm se voltado para horizontes ainda não descortinados. Tomar consciência disso é belo e apaixonante! Estamos mais sensíveis, pois como nos diz Duarte Junior "nosso encontro corporal, sensível, com o mundo, é também estético". Esse autor tem nos ajudado a "significar o mundo" e principalmente "saborear as sutilezas". Nossas formações vêm se transformando, estão mais dialógicas. Temos lançado mão de diversas estratégias formativas numa homologia vivida. A documentação cada vez mais entendida como intrínseca ao fazer pedagógico. As ideias, estudos e pesquisas de grandes "cúmplices" da nossa causa contribuíram com nossos saberes.



Temos nas nossas unidades - CMEIs e escolas com Educação Infantil do NRE PN os "cúmplices" no dia a dia, grandes aliados, autores do processo no cotidiano das unidades.

Percebemos que se a causa precisa ser constantemente defendida e temos muito ainda a avançar, já conquistamos profissionais mais sensíveis; nossas formadoras estão melhores a cada dia; profissionais têm exercido a escuta; as nossas crianças conquistaram e ocuparam os lugares nas unidades; senhoras de seus ambientes; espaços têm se tornado vividos; as relações e interações estão melhores; a parceria com a família valorizada; tempos, espaços e materiais estão sendo repensados; há muita brincadeira. Os adultos estão se permitindo rever seus encaminhamentos, questionado seus papéis, afinal como deve ser a docência na EI? Com certeza se difere da especificidade do EF e precisa abrir espaço para o protagonismo compartilhado.

No dia 05 de dezembro compartilhamos nosso percurso no Centro de Formação Continuada em encontro com os profissionais de todos os NREs e do Departamento de Educação Infantil de Curitiba.
 


Momento que contribuiu para enriquecer nossa caminhada. Expressamos aqui nossa gratidão, pois tivemos muitos parceiros e diversas oportunidades de aprendizagens, com desejo de continuidade pois nossa causa não pode esperar. Que venha 2017!


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

E por falar em Experiência...apresento Davi...meu Tim Tim

          Esse espaço foi pensado pela equipe da Educação Infantil para divulgar a experiência das pessoas, sejam elas formadoras, profissionais  ou crianças. Hoje, eu Cleonice peço licença, não para escrever algo diferente sobre criança , pois continuarei falando sobre experiência, não menos formativa...porém de forma pessoal.
               No mês de novembro de 2015 tive minha nomeação mais importante....Soube que seria mãe, um misto de surpresa e alegria. Comecei a exercer a função em 25 de abril de 2016... pois junto com o nascimento do Davi...meu príncipe nasceu a mãe Cleonice. Tinha plena certeza de que seria uma experiência única e intensa. Meu príncipe chegou e como pode....em 41 cm e 2 kg concentrar tanto amor. Ainda bem que eles crescem e o espaço amplia, pois nosso amor aumenta a cada dia.


               Agora me desculpem todas as mães leitoras, meu pequeno príncipe nasceu com algo a mais do que muitos dos seus filhos...
              Davi nasceu com um cromossomo a mais...o que não lhe dá nenhum super poder, a não ser nos encantar diariamente, também não é um feitiço que será desfeito com o beijo da princesa, pois muitas já o beijaram! Nosso príncipe tem Síndrome de Down, uma condição genética diferente...uma característica entre tantas que Davi tem...gosta de música, passeio de carro, no parque, brisa no rosto...
       Davi tem me ensinado muito... demonstrado com seu percurso o que significa respeitar a individualidade, desenvolvimento e o tempo de cada um. 
Não sei quando Davi vai andar, por enquanto ofereço meu colo, falar....mas nos comunicamos com o olhar!! Não temos pressa... vamos continuar nossa andança.



         Queria compartilhar com vocês que acompanharam de perto, ou a distância meu percurso "gestacional" que Davi trouxe ainda mais vida a minha caminhada! E como avida é feita de encontros....até nosso próximo encontro!!!



          Aproveito para agradecer o carinho de todos, em especial dessas meninas 
guerreiras e formadoras de alma...Andréa. Inês e Suelen.




domingo, 27 de novembro de 2016

DIREITO À INFÂNCIA NAS ESCOLAS


Nosso  encontro de formação de novembro com as escolas teve como objetivo olhar para o percurso, celebrar e replanejar...

O percurso foi visualizado através do compartilhamento do processo da escola São Mateus representado pela professora Magali e as crianças da turma do Pré. Um percurso que relata a escuta  ativa, olhar sensível  que busca investigar a infância e o cotidiano infantil da instituição em um protagonismo compartilhado.

PROTAGONISMO COMPARTILHADO


Diante da estratégia da análise de bom modelo, professoras e pedagogas puderam conhecer mais a respeito da teoria trazida por Gabriel Junqueira e que fundamentou a investigação e planejamento da professora Magali. Destaca-se na sua caminhada, os diálogos frequentes e com sentido para a turma, tornando-se verdadeiras assembleias permeadas pelas questões do brincar nos CADs e apoiadas nas práticas diárias.
Nesta busca, os espaço físicos vêm sendo transformados em ambientes vividos valorizando as relações:
  “...se considerarmos uma criança ativa, exploradora e criadora de sentido, é preciso pensar um espaço e um educador que deem apoio aos seus movimentos, que incentivem sua autoria e autonomia, que contribuam para a diversificação de suas possibilidades.”
                                                                                                                  Daniela Guimarães


Então, mobilizados a saber mais, é indispensável pensar em como tornar a escola num espaço de encontro das crianças e dos adultos, promovendo relações e garantindo momentos de relação individual. 

Muitas provocações convidaram a um rever-se e revisitar-se...



E considerar a criança como sujeito potente, protagonista, criativa, portadora do novo e capaz de realizar escolhas e criar em diferentes momentos vividos na instituição. Magali ressaltou a criação de jogos, motivação que surgiu no curso "Crianças criando jogos de percurso", como legitimação dessa concepção de criança que deixou de estar somente na escrita das Diretrizes e ganhar vida na ação dos adultos e crianças do Pré da EM São Mateus.



A parceria com a professora Carol do turno da tarde, que com sua turma ocupam o mesmo espaço de sala, foi outro fator relevante que promoveu trocas e ampliação de saberes sobre as infâncias, em meio a diálogos que revelaram como cada grupo de crianças dava significados aos ambientes e elementos utilizados por ambos.





Novos voos se aproximam, novos desafios e novas conquistas sempre com uma escuta ativa buscando o protagonismo compartilhado. Considerando o percurso formativo percorrido, possibilitando a infância em nossas unidades, promovendo encontros, experiências, produzindo e transformando culturas.
Com concepções que norteiam nossa caminhada...















Na continuidade fortalecida pela professora Magali através das palavras de Madalena Freire, nos colocamos como pares neste caminho...


 [...] o que tenho observado, sentido nas crianças (e em mim), como reflexo do nosso trabalho, é um grande entusiasmo, os desafios sendo enfrentados com alegria e prazer. O que nos dá a certeza de que a busca do conhecimento não é, para as crianças, preparação para nada, e sim vida aqui e agora.


                (FREIRE, 2007,P.50)




sábado, 5 de novembro de 2016

Por onde anda a nossa imaginação?




Expandir, reinventar, inverter a lógica, sair da rotina, diversificar... foi com este convite para nos encontrarmos em um lugar diferente este mês, para realizar a formação com as professoras e pedagogas de escolas do PN. 


 
   Juntos, na Associação Sede de Campo do HSBC no Tatuquara, pudemos pensar os objetivos:
Refletir a organização do cotidiano, considerando as dimensões: interacional, espacial e funcional dos ambientes de aprendizagem;
Ampliar o entendimento sobre o potencial do imaginário infantil a partir da sensibilização do adulto, a fim de enriquecer os contextos e enredos do brincar. 

   Contamos com a presença generosa e talentosa da professora Rosângela do Departamento de Educação Infantil, para somar às nossas reflexões. Ela trouxe um pouco do seu trabalho construído com as crianças no ano anterior na EM Wenceslau Braz com cantos de atividades diversificadas e inspirou possibilidades, no exercício de analisar um bom modelo e relacionar com a realidade singular de cada escola, de cada professora, de cada criança, no coletivo formado pelas diversidades.


E através do envolvimento dos adultos, a proposta foi de adentrar o universo criativo, num contexto pensado a partir da valorização do sensível, das dimensões dos ambientes de aprendizagem e nas interações, brincar!

Imagem da proposta da professora Rosângela em sua turma






 




Ao pensar a prática das crianças do Pré da professora Rosângela, resgatamos as ideias de Daniela Guimarães, Zilma Ramos para questionar diante do cotidiano do brincar na escola, o que já se estabelece e tem continuidade e o que ainda vemos como algo a conquistar...


 “É importante enfatizar que o modo próprio de comunicar do brincar não se refere a um pensamento ilógico, mas a um discurso organizado com lógica e características próprias, o qual permite que as crianças transponham espaços e tempos e transitem entre os planos da imaginação e da fantasia explorando suas contradições e possibilidades.” (Borba)


Então, que as reflexões pautadas no brincar das crianças e desse momento vivido na formação, alcancem a transformação de nossas práticas considerando condições no cotidiano para contemplar crianças que dentre a multiplicidade de expressões: 

Realizam escolhas, imaginando, criando e recriando novos contextos em suas brincadeiras;
Exploram, investigam, brincam e compartilham experiências com mais autonomia;

Se divertem com a plasticidade que cada objeto proporciona.

•São protagonistas em suas ações.



Nosso carinho e gratidão à professora Rosângela e as crianças do Pré e as que ainda habitam em nós!













segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Anestesia? Não, obrigado.

Sentir, encantar-se, maravilhar-se, saborear a vida em cada detalhe é próprio das infâncias. Nada mais belo que a gota de chuva na vidraça, ou a lesma que passeia pela calçada. Sentir a grama embaixo dos pés, correr do vento ou no vento - são tantos sons, cores, sabores, cheiros, arrepios e fofuras que a vida nos oferece, e a cada oferta, temos a capacidade de significar, de dar sentido.
Para João Francisco Duarte Junior, existem duas formas de conhecimento do mundo: a sensível, dada pelo corpo, e a inteligível, representada pelos signos em nossa mente. Nossas crianças têm o desejo, a necessidade, e lhes é garantido por lei o direito ao saber sensível: este é assegurado pelo PARECER CNE/CEB Nº: 20/2009, que, dentre outros, trata dos Princípios Estéticos. Será que sabemos o que são?

A palavra "estética" tem sua origem do grego e significa em português estesia, que é o contrário de anestesia. É nossa capacidade de dar sentido. Precisamos pensar nas ações do cotidiano de nossos CMEIs de forma a garantir essa educação estética, que assim como o saber inteligível, nos diz  João Francisco, pode ser educada, e ambos se articulam.


Essa reflexão fez parte dos nossos Encontros de Formação de outubro, nos dias 18 e 20. Gestores e pedagogas foram convidados a olharem para uma prática registrada em vídeo do CEI Jesus Criança (ao qual agradecemos por compartilharem), em que as crianças brincam com materiais pouco estruturados. Cada profissional foi convidado a olhar para uma das crianças do vídeo, para que, nesse exercício de olhar para a individualidade dentro de um coletivo, pudessem perceber as aprendizagens das crianças e as condições para a experiência, à luz dos textos da Silvana Augusto e Léa Tiriba.



As socializações dos relatos nos mostraram a validade da estratégia, pois o grupo percebeu inúmeros saberes e interações das crianças, e o espaço e a organização dos materiais como potencializadores destas ações.





No encontro de pedagogas, a proposta foi ver o vídeo da Léa Tiriba em sua participação no I Seminário Criança e Natureza.



Ricas reflexões foram propiciadas a partir de algumas expressões do vídeo, em diálogo constante com as condições para a experiência. Ficou evidente ao grupo que há muito ainda a ser discutido com as equipes e a se avançar formativamente, no que diz respeito aos três objetivos pedagógicos propostos pela Léa Tiriba: 
1. Religar as crianças com a natureza, desemparedar; 
2. Reinventar os caminhos de conhecer; 
3. Dizer não ao consumismo e ao desperdício.
Uma certeza todos têm: os momentos com a proposta de Integração são riquíssimos de oportunidades para as crianças.

 Nossa equipe da Educação Infantil está sentindo o prazer o e os desafios de caminhar junto com os profissionais em formação, a qual tem avançado no Núcleo do Pinheirinho, e você, o que está sentindo agora?